
"...escrever era o meu refúgio, uma forma diferente de me expressar ante a um mundo dominado pela ausência de intimidade entre as pessoas".
Boa tarde amigo, vc é muito feliz em suas obras. São inspiradoras.
Muito massa...
abraço.
| HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL... |
|
| Relacionamento - Desabafo |
Escrito por: carlosmota![]() |
Ter, 11 de Novembro de 2008 08:00 |
|
Eu tinha todos os motivos para nunca mais escrever, para deixar de lado a poesia das palavras, o sentimento real que brota de cada conto ou trama novelesca que criei ao longo de 16 anos de profissão, entretanto, desisti desta idéia e resolvi encarar novamente o teclado e abordar com coragem os fantasmas que quase me fizeram abandonar o mundo mágico da criação.
Quando escrevia semanalmente, era comum receber críticas, elogios e todo tipo de sugestão pelo meu trabalho. Vivia por isso e para isso, porque escrever, para mim, era muito mais do que consoantes e vogais ordenadas numa linha do papel: escrever era o meu refúgio, uma forma diferente de me expressar ante a um mundo dominado pela ausência de intimidade entre as pessoas. Eu escrevia para milhares, dizia o que pensava acerca dos temas da atualidade, invadia o imaginário de centenas de dezenas de leitores - amigos anônimos, despertando-lhes para os grandes temas globais. Digo "era" porque talvez nem volte mais a escrever e sabem por quê? Percebi, de repente, que alguma coisa estava errada comigo, afinal, aos poucos era desbravado por uma insônia voraz, perdia a vontade de comer, de brincar com meus filhos, de estudar profundamente as obras imortais que tanto me comoviam e me transportavam para universos paralelos em que o "amor ao próximo" era a essência mais preciosa das coisas. Assim, da alegria originava-se a tristeza, do amor o ódio... A melancolia, como a noiva das trevas, encobria-me com seu véu e me aprisionava em uma masmorra, cujas paredes invisíveis prenunciavam o medo. Meu desespero crescia a ponto de tudo perder a cor, o brilho natural... Imaginem-se diante do espelho, sem reflexo, destituído de corpo e alma. Assim eu me via, assim eu me sentia! O próximo passo foi relegar minha auto-estima à cova do esquecimento e deixar de curtir tudo o que gostava. Durante anos, mantive o mesmo hábito: chegar em casa às 20h - depois de 12 horas de exercício profissional, tomar um banho, jantar e ler os jornais do dia, na verdade, devorá-los, até com mais prazer que a própria refeição. Cada comentário político ou notícia relevante, fosse cultural ou mesmo policial, conduzia-me a um mundo maior que o meu, causando-me indignação e, em alguns casos, comoção. Foi assim que acompanhei o caso Isabella, que parou o país por mais de um mês, e assisti à crise financeira levar os mercados americanos à bancarrota. Mas, ao invés de ser desafiado por uma curiosidade sagaz como outrora, passei a deixar os jornais de lado e a dormir. Por incrível que pareça, minha noção do tempo já não mais acompanhava a rotina da realidade, como se a vida não despertasse mais interesse... Que assustador! Por isso, a morte, naquele momento, apresenta-se como a opção mais atrativa! Atormentado, meu coração batia sem rumo, esmorecendo um corpo já em ruínas. Aos poucos, minha vocação esvaía (sou professor, adoro lecionar, manter os laços de cordialidade e companheirismo com minhas crianças - assim chamo meus alunos), o talento não mais reluzia! Era a versão tupiniquim de Lord Byron - o poeta romântico inglês, cujo talento voltava-se à autodestruição. Sem que percebesse, eu estava sendo vítima das artimanhas nefastas de um "verme" poderoso, capaz de partir meu interior em versões destoantes, instigando um confronto de egos sem precedentes. A sensação de ameaça, de morbidez, aliada à necessidade do isolamento, tornava-me estranho, tão estranho que assustava aos meus familiares e a mim mesmo. A luz vermelha acendeu-se quando pensamentos suicidas invadiram minha mente. Foi a partir daí que resolvi procurar a ajuda de um profissional. Após este relato, o médico voltou-se para mim e disse que eu estava com DEPRESSÃO - doença grave, porém, tratada com desdém por parte da sociedade conservadora, que a considera "doença de rico" ou simplesmente "vadiagem". E o que aconteceu para que eu chegasse ao fim do túnel? A priori, uma associação "suicida" de estresse com excesso de perfeccionismo. Bem, este artigo é apenas mais um instrumento que encontrei para me resgatar. Se o fiz bem feito não sei, espero apenas ter ajudado a muitos que, como eu, vivem este verdadeiro inferno introspectivo, até porque, só quem passa ou passou por essa experiência é capaz de dimensionar o quão letal ela é. O importante é saber que a Depressão tem cura, desde que tratada a tempo por bons profissionais e medicada conforme a gravidade dos sintomas. O que não vale é ficar em casa, deixar a vida fugir pelas mãos, como se não houvesse luz no fim do túnel, certo? Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Ter, 11 de Novembro de 2008 11:41 |